Análise Psicanalítica: O Cheiro do Ralo
ANÁLISE PSICANALÍTICA DO FILME O CHEIRO DO RALO – Patricia Paula Paiva
1. INTRODUÇÃO
O filme O Cheiro do Ralo, estreado em 2006, dirigido por Heitor Dhalia e protagonizado por Selton Mello no papel de Lourenço, apresenta uma narrativa marcada pelo humor ácido, pelo grotesco, pelo desconforto e pela transformação progressiva da realidade em torno das obsessões de seu protagonista. O filme é uma adaptação do romance homônimo de Lourenço Mutarelli, publicado originalmente em 2002.
A narrativa acompanha Lourenço, proprietário de uma pequena loja na qual compra objetos de pessoas que, em grande parte, chegam ao estabelecimento movidas pela necessidade financeira. Ele estabelece os preços, decide o que cada objeto vale e frequentemente utiliza a situação de fragilidade dos vendedores para exercer poder sobre eles. Ao mesmo tempo, desenvolve uma série de obsessões particulares: o cheiro que vem do ralo de seu estabelecimento, o olho de vidro, a figura imaginária do pai, a bunda da garçonete e os objetos que acumula.
À primeira vista, Lourenço pode ser interpretado simplesmente como um homem cruel, egoísta e socialmente inadequado. Entretanto, uma leitura psicanalítica permite perceber que seu comportamento não se resume à maldade ou à excentricidade. Suas ações revelam uma tentativa constante de controlar aquilo que, em sua experiência psíquica, ameaça escapar ao seu domínio: o desejo, o outro, o corpo, o dinheiro, a memória, a falta e, principalmente, aquilo que ele não consegue eliminar de si mesmo.
Nesse sentido, o ralo é muito mais do que um elemento do cenário. Ele funciona como o grande eixo simbólico do filme. Lourenço começa tentando eliminar o cheiro, chega a tampar o ralo e atribui o odor a uma causa externa. Entretanto, aquilo que inicialmente provoca repulsa acaba sendo incorporado à própria identidade do personagem. Em determinado momento, ele percebe que sua força está relacionada justamente ao cheiro que tanto procurava eliminar. O que deveria ser rejeitado retorna e passa a exercer sobre ele uma espécie de atração.
É justamente nesse movimento que se encontra uma das questões centrais desta análise: Lourenço passa a vida tentando transformar a falta em posse, o desejo em objeto, o outro em mercadoria e aquilo que o incomoda em algo que possa controlar. Porém, o ralo representa aquilo que não se deixa dominar completamente.
A partir de Freud, Lacan e outros autores da tradição psicanalítica, é possível compreender o comportamento de Lourenço como expressão de conflitos relacionados ao narcisismo, à compulsão à repetição, ao fetichismo, ao controle, à falta e ao desejo. Não se pretende estabelecer um diagnóstico clínico do personagem, mas compreender como o filme dramatiza determinadas formas de funcionamento psíquico.
Bruno Shimizu (2014), ao analisar o filme, articula narcisismo, fetichismo, consumismo e exclusão social, demonstrando como as dimensões psíquica e social podem se encontrar na construção de Lourenço. Tardivo (2011), por sua vez, chama atenção para a relação entre liberdade, perversão, desejo e impossibilidade de controle presente na narrativa. Essas contribuições são importantes para fundamentar a análise, mas o objetivo aqui é avançar a partir delas e construir uma leitura integrada dos símbolos e das relações apresentadas pelo filme.
2. O RALO: DA REJEIÇÃO AO RETORNO DO QUE FOI REJEITADO
O título do filme anuncia, desde o início, aquilo que será um dos seus maiores símbolos. O cheiro do ralo invade o espaço de trabalho de Lourenço e interfere em sua rotina. Lourenço avisa aos clientes que entram em seu escritório que aquele mal cheiro vem do ralo, como se tivesse receio que pensassem que o mau cheiro estivesse vindo dele, numa tentativa inconsciente de esconder a sua própria podridão: seus defeitos e os seus vícios. Ele reclama do odor, tenta descobrir a origem e procura eliminá-lo. Em determinado momento, chega a tapar o ralo, como se pudesse resolver o problema simplesmente retirando de circulação aquilo que o incomodava.
A atitude pode ser compreendida, em uma perspectiva psicanalítica, como uma tentativa de afastamento. O personagem deseja colocar para fora aquilo que considera desagradável, sujo ou insuportável. O ralo, por sua própria função, é o lugar destinado àquilo que deve desaparecer. É o caminho por onde os restos são conduzidos para longe do espaço habitável.
Entretanto, o filme produz uma inversão progressiva: aquilo que deveria desaparecer retorna.
Essa dinâmica permite uma aproximação com a noção freudiana de recalque e retorno do recalcado. Para Freud (1915), aquilo que é afastado da consciência não deixa simplesmente de existir. O conteúdo reprimido continua produzindo efeitos e pode retornar de formas indiretas, deslocadas ou simbólicas. O ralo pode ser compreendido justamente como uma representação desse movimento: Lourenço tenta fechar o caminho daquilo que rejeita, mas o conteúdo retorna pelo cheiro.
O mais significativo, porém, é que o personagem não permanece para sempre na posição daquele que rejeita. Aos poucos, ocorre uma transformação. O cheiro do ralo deixa de ser apenas um inimigo e passa a fazer parte da própria relação de Lourenço com o mundo.
Essa transformação é fundamental. O que inicialmente provoca repulsa começa a adquirir valor. O personagem chega a perceber que sua força está relacionada ao cheiro do ralo e, posteriormente, rompe aquilo que havia colocado sobre ele. O movimento de fechar e depois reabrir o ralo pode ser entendido como uma passagem da tentativa de repressão para uma espécie de identificação com aquilo que havia sido rejeitado.
Shimizu (2014) observa justamente essa transformação de Lourenço: inicialmente incomodado pelo cheiro, ele tenta vedar o ralo; posteriormente, passa a atribuir ao odor uma função de força e reabre o espaço que havia fechado.A leitura proposta aqui é que o ralo representa uma dimensão de Lourenço que ele não consegue dominar porque não está fora dele. Ele tenta colocar a sujeira do lado de fora, mas a narrativa demonstra que a sujeira também está dentro de sua própria forma de funcionamento.
Essa interpretação torna o final especialmente significativo. Quando Lourenço se aproxima do ralo e chega a deitar-se para sentir seu cheiro, ocorre uma inversão completa da relação inicial. Ele já não está tentando fugir do odor. Ele se aproxima dele.
O que antes era objeto de rejeição torna-se objeto de atração.
Essa aproximação não precisa ser entendida apenas como gosto pelo mau cheiro. O gesto representa a aceitação — ainda que perturbadora — de algo que Lourenço passou grande parte do filme tentando controlar. O ralo passa a funcionar como uma espécie de espelho negativo do personagem: quanto mais ele tenta expulsá-lo, mais ele retorna; quanto mais tenta dominá-lo, mais percebe que depende dele.
O ralo, portanto, não é apenas o lugar de onde vem o mau cheiro. É o lugar simbólico do resto, do que não pode ser completamente eliminado, do que sobra depois que tudo aquilo que tem valor de troca é separado e organizado.
E Lourenço é justamente um homem obcecado por separar, classificar, comprar, vender e possuir.
3. DINHEIRO, SUJEIRA, RETENÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DO OUTRO EM MERCADORIA
A loja de Lourenço constitui o espaço onde sua relação com o dinheiro se manifesta de maneira mais evidente. As pessoas chegam trazendo objetos que possuem valor afetivo, histórico ou simbólico. Lourenço, porém, reduz esses objetos a um preço.A situação é especialmente significativa porque muitos vendedores chegam ao estabelecimento em condições de necessidade. Eles precisam do dinheiro e, portanto, estão em uma posição de fragilidade diante daquele que compra.
Lourenço transforma essa necessidade em instrumento de poder.
O objeto que para alguém possui uma história passa a valer, para ele, apenas aquilo que está disposto a pagar. A memória é convertida em mercadoria. A história é transformada em preço. O vínculo afetivo é substituído pela lógica da troca.
Nesse sentido, o dinheiro não aparece simplesmente como instrumento econômico. Ele funciona como instrumento de domínio.
Freud (1908), ao discutir o erotismo anal, estabelece relações simbólicas entre retenção, controle, organização e dinheiro. Não significa afirmar de maneira simplista que “dinheiro é fezes”, mas reconhecer que determinados significados associados à retenção e ao controle podem encontrar representação simbólica na relação com o dinheiro.
Essa associação é particularmente interessante no filme porque dinheiro, sujeira e ralo aparecem constantemente próximos.
O homem que compra objetos usados controla o dinheiro; o ralo expulsa aquilo que é considerado resto; e Lourenço, paradoxalmente, tenta controlar justamente aquilo que deveria ser descartado.
Existe, assim, uma espécie de circuito simbólico entre reter e eliminar.
Lourenço quer reter pessoas, objetos, partes de corpos, histórias e imagens, mas quer eliminar aquilo que ameaça seu controle. O problema é que aquilo que ele elimina, retorna. O ralo é a representação mais concreta dessa contradição.
A relação de Lourenço com os objetos também demonstra que sua compulsão não está simplesmente em comprar. Ele atribui aos objetos histórias que frequentemente ultrapassam aquilo que realmente sabe sobre eles. O olho de vidro, por exemplo, recebe uma história particular relacionada ao pai.
O objeto deixa de ser apenas um objeto. Ele passa a carregar uma narrativa inventada por Lourenço.
A partir daí, a mercadoria deixa de funcionar apenas como coisa comercial e passa a servir à construção de uma identidade. É como se Lourenço utilizasse os objetos para preencher espaços internos que não consegue elaborar de outra maneira.
Costa (2010), ao analisar a relação entre objetos, fetiche e inutilidade na obra, observa que Lourenço não se interessa somente pela materialidade das coisas, mas também pelas histórias e simbolismos que elas carregam. Essa leitura ajuda a compreender por que seus objetos parecem funcionar como extensões de sua própria vida.
A lógica da mercadoria, entretanto, ultrapassa os objetos. Ela chega às pessoas.
É nesse ponto que a crítica social do filme se encontra diretamente com a psicanálise.
Lourenço vive em uma sociedade em que quase tudo pode adquirir valor de troca. Ele leva essa lógica ao extremo. Se um objeto pode ser comprado, ele acredita que talvez também possa comprar uma parte do corpo de uma mulher, comprar o olhar, comprar a disponibilidade, comprar a submissão e, em última instância, comprar o outro.
O filme mostra, portanto, uma sociedade na qual a necessidade econômica cria relações profundamente desiguais. Mas também mostra como o próprio sujeito pode incorporar essa lógica até transformar seus vínculos em relações de posse.
É possível aproximar essa leitura de Erich Fromm (1976), especialmente de sua distinção entre uma existência orientada pelo “ter” e outra orientada pelo “ser”. Lourenço está radicalmente situado no campo do “ter”: ter objetos, ter dinheiro, ter poder, ter o corpo do outro, ter histórias, ter o olhar.
Quanto mais possui, entretanto, mais sua falta aparece.
4. O OLHO DE VIDRO: O PAI, A AUSÊNCIA, O OUTRO E O PODER DO OLHAR
Entre todos os objetos que circulam pela loja, o olho de vidro possui uma importância particular.
O olho é um órgão relacionado ao olhar, à percepção e ao reconhecimento. Mas aquele olho específico não vê. É um olho artificial, separado de um corpo vivo. Justamente por isso, torna-se extremamente significativo para Lourenço.
O vendedor apresenta o olho como algo que teria visto muitas coisas. A partir daí, o objeto ganha uma espécie de história própria. Lourenço se interessa por ele e, posteriormente, cria uma narrativa segundo a qual o olho teria pertencido a seu pai, morto em uma guerra.
O pai, portanto, não aparece simplesmente como memória. Ele é construído por Lourenço a partir de objetos.
Essa construção revela uma dificuldade fundamental do personagem: ele parece precisar produzir uma origem para si mesmo.
O pai representa autoridade, origem, referência e pertencimento. Mas o pai de Lourenço é apresentado de maneira fragmentada, mediado por objetos e narrativas. O personagem não encontra o pai como presença concreta; ele o reconstrói através da fantasia.
O olho passa, então, a funcionar como um fragmento do pai.É importante observar que Lourenço também atribui ao objeto uma relação com o poder. O olho teria visto a guerra, teria testemunhado acontecimentos e carregaria uma história que o próprio Lourenço não viveu.
O olho torna-se testemunha.
Mas há uma contradição: o olho não vê.
Essa contradição é central para sua interpretação.
Lourenço transforma um objeto sem visão em uma espécie de sujeito que observa. O olho torna-se uma extensão de seu próprio olhar. Ele não possui apenas o objeto; possui simbolicamente aquilo que acredita que o objeto viu.
Essa dimensão aproxima-se da teoria lacaniana do olhar. Para Lacan (1964), o olhar não pode ser reduzido simplesmente ao ato fisiológico de enxergar. O sujeito também se encontra implicado naquilo que imagina ser visto pelo Outro. O olhar participa do desejo e da constituição do sujeito.
No filme, Lourenço quer olhar, mas também quer possuir aquilo que olha.
Isso fica particularmente evidente quando leva o olho de vidro para observar a garçonete.
O objeto que supostamente pertenceu ao pai transforma-se em instrumento para olhar o corpo feminino.
O pai, a autoridade, o olhar e o desejo sexual encontram-se, assim, condensados em um único objeto.
5. O OLHO, A GARÇONETE E O DESEJO PELO OBJETO-PARTE
A garçonete ocupa uma posição fundamental na economia do desejo de Lourenço. Ele não se interessa por ela enquanto sujeito em sua totalidade. Sua atenção está concentrada em uma parte específica de seu corpo: sua bunda.
Essa redução é essencial para compreender o funcionamento do desejo do personagem.
Freud (1905), ao estudar a sexualidade, mostra que a pulsão sexual não se organiza necessariamente de maneira totalizante. Partes do corpo podem adquirir significação privilegiada e se tornar objetos de investimento pulsional. Mais tarde, em Fetichismo (1927), Freud analisa como determinado objeto ou parte do corpo pode assumir uma importância sexual que ultrapassa sua função ordinária.
No caso de Lourenço, a bunda da garçonete adquire um valor que parece superar a própria pessoa. Ele não deseja conhecer verdadeiramente a mulher. Deseja aquela parte.
É por isso que sua relação com ela é tão importante para compreender sua estrutura psíquica. Ele tenta transformar o desejo em propriedade.
Se aquela parte do corpo lhe pertence, ele imagina que terá controle sobre o desejo que sente.
Essa tentativa aparece de maneira particularmente perturbadora quando Lourenço formula a possibilidade de comprar a bunda da garçonete.
O absurdo da situação produz humor, mas o humor não elimina sua dimensão violenta. Pelo contrário, torna a violência mais desconfortável justamente porque apresenta como aparentemente banal algo profundamente objetificador.
Negreli e Sodré (2019), ao analisarem a relação de Lourenço com a garçonete, destacam a centralidade dessa obsessão e a transformação da figura feminina em objeto dentro da lógica grotesca da narrativa.Entretanto, o filme não mostra apenas o desejo de Lourenço. Mostra também sua frustração quando percebe que o outro não pode ser completamente transformado em objeto.
A garçonete tem vontade própria.
Ela pode desejar, recusar, se afastar, sentir-se ofendida e agir de maneira diferente daquela que Lourenço havia imaginado.
Esse é um dos momentos em que sua fantasia de controle começa a falhar.
Lourenço estranha algo que não havia previsto. O inesperado o incomoda porque o outro, quando realmente é outro, não obedece ao roteiro que ele escreveu.
Tardivo (2011), destaca justamente essa dimensão de imprevisibilidade: Lourenço se depara com acontecimentos que escapam ao seu planejamento, o que produz nele desconforto e ameaça sua posição de controle.
O desejo, nesse sentido, não é simplesmente uma vontade de possuir. Ele também nasce da falta. Lacan permite aprofundar esse ponto ao compreender o desejo como estruturalmente articulado à falta. Para ele, o desejo não se reduz à busca ou à posse de um objeto concreto, uma vez que o objeto a ocupa a posição de causa do desejo, e não de objeto capaz de proporcionar uma satisfação definitiva, (LACAN, 2008). Dessa forma, desejo de Lourenço não se satisfaz definitivamente pela posse de um objeto, porque está estruturalmente relacionado à um vazio. Lourenço tenta resolver essa falta por meio da aquisição de objetos, mas cada objeto adquirido produz novas necessidades e novas obsessões.
Ele compra o olho.
Quer a bunda.
Coleciona objetos.
Cria histórias.Compra coisas e pessoas.
Mas nada encerra definitivamente seu desejo.
6. A GARÇONETE E A EXPERIÊNCIA DO PRAZER
A relação com a garçonete também apresenta uma dimensão sexual que não pode ser ignorada. Lourenço transforma o corpo dela em objeto de contemplação e fantasia e chega a vivenciar situações nas quais ela se despe para ele.
Esse detalhe é importante porque mostra que a relação não está limitada à fantasia distante. O corpo da mulher efetivamente entra no campo de experiência de Lourenço.
Mesmo assim, a satisfação não se completa.
Se o problema de Lourenço fosse simplesmente falta de acesso ao corpo da mulher, a obtenção desse acesso deveria resolver sua obsessão. Não resolve.
O prazer não elimina a falta.
Ao contrário, pode intensificá-la.
A garçonete também evidencia a diferença entre o corpo enquanto objeto e a pessoa enquanto sujeito. Lourenço quer a parte do corpo, mas não consegue lidar adequadamente com a mulher que possui aquela parte.
É justamente por isso que a sexualidade aparece no filme associada ao controle.
Lourenço tenta reduzir o desejo a uma operação comercial: se posso comprar um objeto, talvez possa comprar aquilo que desejo no corpo de alguém.
Mas o corpo humano não funciona como mercadoria da mesma maneira que os objetos de sua loja.O desejo não é uma transação comercial.
O outro não é uma peça de coleção.
E é justamente essa impossibilidade que o personagem não consegue aceitar.
7. A MULHER VICIADA: QUANDO O OBJETO VOLTA COMO SUJEITO
A presença da mulher viciada amplia ainda mais a discussão sobre a transformação do outro em objeto.
Ela aparece em uma situação de vulnerabilidade e mantém com Lourenço uma relação marcada pela exploração, pelo dinheiro e pela objetificação. Lourenço utiliza sua fragilidade para estabelecer uma relação em que ele ocupa a posição de quem paga e determina as condições.
Assim como acontece com os objetos vendidos em sua loja, a necessidade do outro torna-se oportunidade de poder.
Entretanto, essa relação sofre uma ruptura decisiva no final.
A mulher que havia sido colocada em posição de objeto retorna como sujeito capaz de agir.
Ela atira em Lourenço.
Esse acontecimento é fundamental para a leitura psicanalítica do filme porque destrói a fantasia de onipotência que sustentava o personagem.
Lourenço acredita durante grande parte da narrativa que pode prever, comprar, manipular e controlar. Mas não consegue controlar o desejo do outro.
A mulher que ele tratava como objeto demonstra que possui vontade própria.
Ela pode feri-lo.Pode interromper sua fantasia.
Pode colocar um limite.
O tiro representa, portanto, mais do que uma agressão física. Simbolicamente, ele representa o retorno daquilo que Lourenço não conseguia reconhecer: o outro possui uma subjetividade que não pode ser completamente comprada.
Nesse sentido, o filme produz uma inversão da lógica da mercadoria.
Lourenço passou grande parte da história transformando pessoas em objetos.
No final, é confrontado por uma pessoa que se recusa a permanecer objeto.
8. NARCISISMO, CONTROLE E A IMPOSSIBILIDADE DE POSSUIR O OUTRO
A postura de Lourenço pode ser relacionada ao Conceito Freudiano de Narcisismo.
Em Sobre o narcisismo: uma introdução (1914), Freud demonstra que o investimento libidinal pode estar fortemente direcionado ao próprio ego. Isso não significa simplesmente vaidade ou amor exagerado pela aparência. Em uma perspectiva psicanalítica, o narcisismo envolve uma forma de organização do investimento no eu e na relação com os objetos.
Lourenço parece estabelecer relações em que o outro somente adquire valor quando pode ser incorporado à sua própria lógica.
Ele não aceita facilmente o outro enquanto sujeito independente.
O cliente deve aceitar o preço.
O objeto deve obedecer ao significado que Lourenço lhe atribui.A garçonete deveria corresponder ao lugar que ele criou para ela.
A mulher viciada deveria permanecer na posição de alguém que recebe e obedece.
O olho deve testemunhar aquilo que ele quer olhar.
O pai deve existir na forma que ele consegue imaginar.
O ralo deveria desaparecer quando ele decide que deve desaparecer.
Em todos esses casos, existe a mesma tentativa: fazer o mundo funcionar segundo a vontade de Lourenço.
Essa característica permite pensar em traços de funcionamento narcísico e também em mecanismos de controle obsessivo. Entretanto, é importante não transformar uma personagem cinematográfica em diagnóstico clínico fechado. O que se pode afirmar é que o filme dramatiza uma subjetividade organizada pela necessidade de domínio e pela dificuldade de lidar com a alteridade. Lourenço tenta eliminar a distância entre desejar algo e possuir aquilo que deseja.
Quando deseja uma coisa, quer comprá-la.
Quando deseja uma parte do corpo, imagina comprá-la.
Quando deseja uma história, inventa-a.
Quando deseja uma origem, constrói um pai.
Quando deseja eliminar o cheiro, fecha o ralo.
Mas a realidade insiste em produzir algo que não pode ser completamente controlado.
9. REPETIÇÃO: O PERSONAGEM PRESO AO MESMO CIRCUITOOutro elemento importante da narrativa é a repetição.
Lourenço repete comportamentos, trajetos e pensamentos. Compra objetos, atende clientes, vai à lanchonete, observa a garçonete, retorna à loja e convive novamente com o cheiro do ralo.
Essa repetição pode ser relacionada à compulsão à repetição discutida por Freud (1920).
A compulsão à repetição demonstra que o sujeito pode retornar continuamente a situações que não conduzem necessariamente à satisfação. A repetição não significa simplesmente fazer a mesma coisa porque se gosta dela. Muitas vezes, ela revela uma tentativa de elaborar algo que não foi simbolizado ou resolvido.
Lourenço repete porque não consegue concluir.
Ele compra, mas não se satisfaz.
Deseja, mas não consegue transformar o desejo em relação.
Inventa, mas não consegue preencher a ausência.
Tenta fechar o ralo, mas depois o abre.
É justamente essa estrutura circular que faz com que o ralo seja tão importante.
Ele não é apenas o lugar de onde vem o cheiro.
Ele é a imagem do circuito em que Lourenço está preso.
O que sai, retorna.
O que é rejeitado, reaparece.
O que é comprado, não basta.
O que é possuído, não elimina a falta.O que é controlado, escapa.
O que é enterrado, volta à superfície.
10. O PAI, A AUSÊNCIA E A CONSTRUÇÃO DE UMA ORIGEM
A narrativa que Lourenço cria sobre o pai também pode ser compreendida a partir da necessidade de preencher uma ausência.
O pai não é apresentado como uma presença concreta e consistente. Ele aparece através de fragmentos e objetos aos quais Lourenço atribui uma história.
O olho de vidro, a prótese e outros elementos passam a funcionar como peças de uma narrativa pessoal.
O personagem parece construir uma origem porque precisa de uma.
Essa construção não precisa ser tomada simplesmente como mentira consciente. Psicanaliticamente, a fantasia pode desempenhar uma função muito mais profunda do que a simples falsificação da realidade. Ela organiza experiências, protege o sujeito de determinadas angústias e permite produzir sentidos para aquilo que permanece sem elaboração.
O pai imaginado por Lourenço pode ser compreendido como uma figura de autoridade que ele procura possuir justamente porque não consegue estabelecer uma relação viva com ela.
É significativo que esse pai seja associado à guerra.
A guerra traz consigo imagens de violência, morte, masculinidade, autoridade e sobrevivência. O olho que teria visto a guerra carrega, simbolicamente, uma experiência que ultrapassa Lourenço.
Ao atribuir esse objeto ao pai, Lourenço apropria-se de uma história que não viveu.Ele transforma o objeto em herança.
Essa construção imaginária permite que o objeto deixe de ser apenas uma mercadoria e passe a funcionar como um suporte para uma identidade que Lourenço tenta construir para si.
11. O OLHO DO DÓLAR, DE DEUS E “O OUTRO Vendedor: “Esse olho vale mais. Esse olho já viu de tudo” Lourenço — Tudo o quê?
Vendedor: Tudo. Ele viu tudo o que aconteceu!
Lourenço quer esse poder e então paga pelo valor que o vendedor oferece. Quando mostra o olho de vidro a outro cliente, este o compara ao “olho do dólar”, remetendo ao olho de Deus representado na nota. Lourenço, porém, rejeita a associação e responde: “Porque na nota de dólar é o olho de Deus... E este aqui é o olho do outro”. A distinção feita pelo personagem é significativa: enquanto o primeiro remete ao olhar divino, associado à proteção e à onisciência, o “olho do outro” introduz uma dimensão mais obscura e inquietante, coerente com o universo de fantasias e obsessões construído por Lourenço. O objeto, assim, ganha um significado que ultrapassa seu valor material. Esse “outro” pode ser compreendido como aquilo que escapa ao controle e à racionalidade de Lourenço, aproximando-se do lado sombrio e desconhecido que ele próprio projeta nos objetos que coleciona. O olho de vidro, portanto, deixa de ser apenas uma mercadoria e passa a carregar um significado perturbador dentro de seu universo psíquico
12. CAPITALISMO, CONSUMISMO E A PSICANÁLISE DO “TER”
A dimensão social do filme não deve ser separada de sua dimensão psíquica.Lourenço não existe fora de uma sociedade na qual objetos possuem preço, pessoas precisam de dinheiro e o consumo organiza grande parte das relações sociais.
É nesse ambiente que sua subjetividade encontra espaço para se desenvolver.
O personagem leva a lógica da mercadoria ao extremo, mas não a inventa sozinho.
A sociedade já oferece essa lógica.
Shimizu (2014) desenvolve justamente a articulação entre narcisismo, fetichismo, consumismo e exclusão social no filme. Seu trabalho demonstra como a dimensão social da sociedade de consumo pode se articular à dimensão psíquica do personagem.
A loja de Lourenço pode ser entendida como uma espécie de laboratório dessa lógica.
Tudo tem preço.
O valor é definido por quem tem dinheiro.
A necessidade aumenta o poder de quem compra.
A história de um objeto é subordinada ao seu valor comercial.
Nesse contexto, Lourenço transforma sua própria subjetividade em uma extensão da lógica de mercado.
Ele não sabe simplesmente desejar.
Ele deseja como quem compra.
Ele não sabe simplesmente se relacionar.
Ele se relaciona como quem negocia.
Ele não sabe simplesmente olhar.Ele olha como quem quer possuir.
Fromm (1976) ajuda a compreender essa diferença entre uma existência fundada no “ter” e outra fundada no “ser”. Lourenço está profundamente submetido ao primeiro modo: sua identidade parece depender daquilo que consegue possuir.
O problema é que o “ter” não consegue resolver o “ser”.
Nenhum objeto consegue preencher completamente a falta.
Por isso, quanto mais Lourenço possui, mais precisa possuir.
O mecanismo é circular.
E o ralo é a imagem perfeita dessa circularidade.
13. O GROTESCO COMO FORMA DE REVELAR O QUE É REPULSIVO
O filme utiliza o grotesco não apenas para provocar humor ou estranhamento, mas para revelar aspectos que normalmente seriam ocultados.
O cheiro, o ralo, os objetos usados, as partes do corpo, a sexualidade, o dinheiro e a morte são colocados em proximidade.
O que normalmente seria separado aparece misturado.
Essa característica também está presente no romance de Mutarelli. Negreli e Sodré (2019) analisam justamente a relação entre humor e grotesco na obra, especialmente na maneira como Lourenço se relaciona com as figuras femininas e com o corpo.
O grotesco produz uma espécie de desorganização.
A loja, que deveria ser um espaço comercial, transforma-se em espaço de fantasias.O olho, que deveria ver, não vê.
A mulher, que deveria ser sujeito, é tratada como objeto.
O objeto, que deveria ser vendido, passa a carregar uma identidade.
O cheiro, que deveria ser eliminado, torna-se fonte de força.
O pai, que deveria ser uma pessoa, é reconstruído por objetos.
A morte, que deveria interromper a narrativa, conduz Lourenço novamente ao ralo.
O grotesco, portanto, é adequado à lógica psíquica do filme porque revela aquilo que a consciência tenta manter separado.
14. O TIRO FINAL E A QUEDA DA ONIPOTÊNCIA
O disparo contra Lourenço representa o momento em que sua fantasia de controle encontra um limite concreto.
Durante grande parte da narrativa, ele age como se estivesse acima das regras comuns de reciprocidade. Compra, vende, manipula, humilha e determina.
Mas ninguém possui controle absoluto sobre o outro.
A mulher viciada demonstra isso de maneira radical.
Ela deixa de ser objeto e torna-se agente.
O tiro rompe a fantasia de que Lourenço pode determinar tudo o que acontece ao seu redor.
A partir daí, o personagem perde sua posição de domínio.É significativo que essa queda não ocorra simplesmente no espaço social da loja, mas esteja ligada à trajetória que o filme vinha construindo desde o início: a trajetória em direção ao ralo.
Aquele que passou o filme tentando controlar o que entra e o que sai termina atraído justamente pelo lugar que representa aquilo que não pode ser controlado.
A morte, nesse sentido, pode ser lida como o colapso final da onipotência.
Não se trata de afirmar que o filme oferece uma punição moral simples. A questão é mais profunda.
Lourenço não consegue permanecer protegido dentro de seu sistema de controle porque o próprio sistema contém aquilo que ele não consegue dominar.
15. O RETORNO AO RALO: O QUE FINALMENTE SE REVELA
O final do filme pode ser compreendido como a conclusão de todo o percurso simbólico de Lourenço.
No começo, ele rejeita o cheiro.
Depois tenta escondê-lo.
Em seguida tenta eliminá-lo.
Mais tarde percebe que o cheiro possui uma força sobre ele.
Finalmente, aproxima-se dele.
Esse movimento pode ser entendido como uma trajetória do recalque à repetição e, finalmente, ao encontro com aquilo que havia sido rejeitado.
O ralo representa o lugar do resto.Tudo aquilo que o sujeito não quer ver é jogado fora.
Mas Freud demonstra que aquilo que é rejeitado psiquicamente não desaparece simplesmente.
O retorno do reprimido pode ocorrer de formas inesperadas.
O ralo, portanto, funciona como uma metáfora do inconsciente: um lugar onde aquilo que não pode permanecer à vista é lançado, mas de onde seus efeitos continuam retornando.
Lourenço tenta colocar o cheiro do lado de fora.
Mas o cheiro invade sua vida.
Ele tenta colocar o outro na posição de objeto.
Mas o outro retorna como sujeito.
Ele tenta transformar o desejo em posse.
Mas o desejo permanece.
Ele tenta construir um pai.
Mas a ausência permanece.
Ele tenta controlar os objetos.
Mas eles passam a controlar sua imaginação.
Ele tenta dominar o ralo.
Mas acaba atraído por ele.
É nesse sentido que o título O Cheiro do Ralo adquire toda sua força.
O filme não é simplesmente sobre um homem que sente um mau cheiro.É sobre um homem que tenta eliminar tudo aquilo que não consegue suportar em sua própria experiência, até descobrir que aquilo que rejeita também constitui quem ele é.
16. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise de O Cheiro do Ralo permite compreender Lourenço como um personagem construído a partir de uma profunda dificuldade de lidar com a falta e com a alteridade. Seu modo de se relacionar com o mundo é marcado pela tentativa de transformar tudo em objeto de posse: objetos materiais, dinheiro, histórias, partes do corpo, mulheres, memórias e até mesmo o olhar.
O ralo é o principal símbolo dessa dinâmica.
Inicialmente rejeitado, ele representa aquilo que Lourenço deseja retirar de seu campo de experiência. Porém, quanto mais o personagem tenta eliminá-lo, mais o ralo retorna. No decorrer da narrativa, o cheiro deixa de ser somente algo externo e passa a ser associado à própria força de Lourenço. Ao final, ele já não foge do ralo: aproxima-se dele.
Essa transformação permite interpretar o ralo como representação daquilo que não pode ser completamente eliminado ou controlado. Ele é o lugar do resto, do rejeitado, do que retorna. Nesse sentido, aproxima-se da dinâmica psicanalítica do recalque e do retorno do recalcado.
A mesma lógica aparece em sua relação com o dinheiro. Lourenço transforma a necessidade das pessoas em poder de negociação e reduz histórias e afetos a valores monetários. O outro deixa de ser reconhecido como sujeito e passa a ser tratado como mercadoria. O filme, assim, apresenta uma crítica à sociedade de consumo, mas essa crítica ganha profundidade quando observamos que Lourenço não apenas vive em uma sociedade orientada pela lógica do “ter”: ele incorpora essa lógica à própria maneira de desejar.
O olho de vidro sintetiza outra dimensão fundamental. Associado ao pai, à ausência, ao olhar, à guerra, ao poder e posteriormente ao desejo sexual, ele torna-se uma espécie de objeto condensador das fantasias do personagem. Lourenço transforma o olho em testemunha, embora o olho não possa ver. Ao carregá-lo para observar a garçonete, transforma o olhar em posse e aproxima a figura paterna de sua própria experiência sexual.
A garçonete, por sua vez, evidencia a impossibilidade de transformar completamente o desejo em mercadoria. Lourenço não deseja a mulher como sujeito, mas uma parte específica de seu corpo. Sua obsessão demonstra uma forma de objetificação na qual o objeto-parte ocupa o lugar da pessoa inteira. Mesmo quando há aproximação e nudez, o desejo não se encerra, porque a satisfação não elimina a falta que o sustenta.
A mulher viciada leva essa questão ao limite. Tratada por Lourenço a partir da lógica do poder econômico e da objetificação, ela finalmente retorna como sujeito capaz de agir. O tiro que atinge Lourenço destrói sua fantasia de controle e mostra que o outro nunca pode ser completamente reduzido ao lugar que lhe é atribuído.
Dessa maneira, o filme pode ser compreendido como uma narrativa sobre a tentativa fracassada de transformar a falta em posse.
Lourenço tenta possuir porque não suporta não possuir.
Tenta controlar porque não suporta o imprevisível.
Tenta comprar porque não consegue estabelecer uma relação de reciprocidade.
Tenta construir um pai porque a ausência exige uma narrativa.
Tenta transformar mulheres em objetos porque o desejo pelo outro implica uma alteridade que ele não consegue suportar.
E tenta eliminar o ralo porque não aceita aquilo que escapa ao seu domínio.
No entanto, aquilo que Lourenço rejeita retorna continuamente.O cheiro retorna.
O desejo retorna.
A falta retorna.
O outro retorna.
E, no final, o próprio Lourenço retorna ao ralo.
Assim, o grande paradoxo do personagem é que sua tentativa de controlar tudo acaba conduzindo-o justamente ao lugar onde o controle fracassa. O ralo, que inicialmente representa a sujeira que ele quer expulsar, termina representando aquilo que ele não consegue mais separar de si mesmo.
O filme revela, portanto, uma subjetividade presa entre o desejo de possuir e a impossibilidade de preencher a falta por meio da posse. A partir de Freud, pode-se compreender a presença da repressão, da repetição, do narcisismo, do fetichismo e das relações simbólicas entre controle e retenção. Com Lacan, torna-se possível aprofundar a dimensão do olhar, do desejo, da falta e do Outro. Com Fromm, compreende-se a predominância de uma existência organizada pelo “ter”. E, com Shimizu (2014), Tardivo (2011) e Negreli e Sodré (2019), a análise encontra interlocução acadêmica específica sobre o filme e sua relação com narcisismo, fetichismo, consumismo, perversão, grotesco e objetificação.
O ralo, enfim, não é apenas o lugar de onde vem o cheiro.
É o lugar para onde Lourenço tenta mandar tudo aquilo que não consegue elaborar.
E é justamente de lá que tudo retorna. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. COSTA, Thainá Castro. Descartando objetos e colecionando pessoas: o fetiche e a inutilidade em O Cheiro do Ralo. 2010. Trabalho apresentado no Encontro Estadual de História – ANPUH-RS. Disponível em: www.eeh2012.anpuh-rs.org.br. Acesso em: 4 out. 2026. DHALIA, Heitor. O Cheiro do Ralo. Brasil: Primo Filmes, 2006. Filme. Disponível em: www.tv.apple.com. Acesso em: 03 out. 2026. FREUD, Sigmund. Caráter e erotismo anal. 1908. In: Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago. Disponível em: www.valas.fr. Acesso em: 4 out. 2026. FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. 1905. In: Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago. Disponível em: www.traco-freudiano.org. Acesso em: 5 out. 2026. FREUD, Sigmund. Sobre o narcisismo: uma introdução. 1914. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, v. XIV. Disponível em: www.ip.usp.br. Acesso em: 5 out. 2026. FREUD, Sigmund. Recordar, repetir e elaborar. 1914. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago. Disponível em: www.ip.usp.br. Acesso em: 5 out. 2026. FREUD, Sigmund. Repressão. 1915. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, v. XIV. Disponível em: www.ip.usp.br. Acesso em: 6 out. 2026. FREUD, Sigmund. O inconsciente. 1915. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, v. XIV. Disponível em: www.ip.usp.br. Acesso em: 6 out. 2026. FREUD, Sigmund. Além do princípio do prazer. 1920. In: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago. Disponível em: www.repositorio.ufc.br. Acesso em: 6 out. 2026. FREUD, Sigmund. Fetichismo. 1927. Disponível em: www.freudedition.net. Acesso em: 7 out. 2026. FROMM, Erich. Ter ou ser? 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1987. Disponível em: www.grupogen.com.br. Acesso em: 5 out. 2026. LACAN, Jacques. O Seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1985. Disponível em: www.companhiadasletras.com.br. Acesso em: 7 out. 2026. MUTARELLI, Lourenço. O Cheiro do Ralo. São Paulo: Devir Livraria, 2002. Disponível em: www.books.google.com. Acesso em: 4 out. 2026. NEGRELI, Pâmella Possatti; SODRÉ, Paulo Roberto. O grotesco humorístico de Lourenço Mutarelli: a garçonete e a noiva em O Cheiro do Ralo. Trama, Marechal Cândido Rondon, v. 15, n. 36, p. 110-121, 2019. Disponível em: www.e-revista.unioeste.br. Acesso em: 6 out. 2026. SHIMIZU, Bruno. Narcisismo, fetichismo, consumismo e exclusão social: articulações a partir do filme O Cheiro do Ralo. Revista de Psicanálise da SPPA, Porto Alegre, v. 21, n. 1, p. 207-232, 2014. Disponível em: www.revista.sppa.org.br. Acesso em: 6 out. 2026. TARDIVO, Renato Cury. Liberdade e perversão em O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia. Revista Mal-Estar e Subjetividade, Fortaleza, v. 11, n. 2, p. 873-884, 2011. Disponível em: www.pepsic.bvsalud.org. Acesso em: 7 out. 2026.

Muito interessante! Vale a pena a leitura!
ResponderExcluir